Depois de ganhar o Oscar com Oppenheimer, Christopher Nolan encarou um desafio ainda maior: adaptar A Odisseia, poema de Homero, para o cinema. O resultado mostra que o diretor não fugiu da grandeza da história e entrega um dos melhores filmes da carreira dele.

O filme foi rodado em película 70mm, o que explica boa parte do visual impressionante do longa, e tem um elenco liderado por Matt Damon como Odisseu, Anne Hathaway como Penélope e Robert Pattinson como Antinous, o mais arrogante dos pretendentes de Penélope e uma peça central da história.

Damon, Hathaway e um vilão que dá vontade de odiar

O trio principal carrega o filme nas costas. Matt Damon e Anne Hathaway atuam muito bem: ele mostra um Odisseu cansado pela guerra e pela longa viagem, ela dá à Penélope uma força que foge do clichê da esposa que só espera. Já Robert Pattinson rouba a cena como Antinous: sem entrar em detalhes que estragariam a surpresa de quem ainda vai assistir, o ator cria um personagem que faz o público sair do cinema com raiva dele, o tipo de reação que só uma boa atuação consegue provocar.

O elenco de apoio também tem peso na história: Tom Holland vive Telêmaco, filho de Odisseu, John Leguizamo interpreta Eumeu, Jon Bernthal dá vida a Menelau e Charlize Theron interpreta a deusa Calipso, e todos têm um bom tempo de tela, com papéis importantes para o desenrolar da trama.

O lado técnico do filme também é muito bem feito. A trilha sonora é tensa do início ao fim, e o som do ciclope é um dos pontos altos: a criatura assusta muito mais pelo que se ouve do que pelo que se vê. A fotografia e a edição seguem o mesmo nível, e mesmo sendo longo, o filme prende a atenção sem cair o ritmo. As cenas de ação têm uma clareza rara nesse tipo de filme hoje em dia, e o uso forte de efeitos práticos deixa cada cena mais real.

A sequência da invasão de Troia merece um destaque à parte. A coreografia dos combates, a escala do cerco à cidade e a tensão construída cena a cena elevam ainda mais o nível técnico já visto no restante do filme. O ápice chega com o cavalo de Troia: o modo como Nolan conduz esse momento, no ritmo, na fotografia e na tensão que antecede a revelação, resulta, na avaliação desta crítica, na melhor execução já feita no cinema para essa passagem clássica da mitologia grega.

Aquiles e Helena de Troia bem diferentes do poema original

A mudança aparece no visual dos dois personagens: Aquiles surge com um corpo bem magro, longe da imagem do maior guerreiro grego descrita no poema de Homero, e Helena de Troia é vivida por uma atriz negra, uma escolha que também foge da forma como a personagem é tradicionalmente descrita no texto original. É essa diferença que mais incomoda quem conhece bem a obra original. Ainda assim, como os dois personagens aparecem pouco no filme, esse incômodo perde força perto do restante da produção.

Favorito ao Oscar 2027 de melhor filme

Na visão do Coruplay, A Odisseia entrega o que promete: um épico que equilibra drama humano e ação sem que um lado atrapalhe o outro. As boas atuações, a direção segura e o trabalho técnico quase perfeito colocam o filme entre os favoritos na corrida por melhor filme no Oscar 2027.

Com excelentes atuações, um vilão marcante e um trabalho técnico espetacular, A Odisseia se firma como um dos melhores lançamentos do ano.