A Netflix finalmente mostrou as cartas. Nesta terça (24), o serviço divulgou o primeiro teaser de The One Piece, o aguardado remake em animação da obra de Eiichiro Oda, durante o Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy, na França. O vídeo abre exatamente onde tudo começou, na Vila do Moinho, e confirma o que muito fã já esperava: a refilmagem vai adaptar a saga East Blue a partir do arco Romance Dawn, com estreia marcada para fevereiro de 2027.

Por que a Netflix entregou One Piece ao estúdio de Attack on Titan

O projeto não nasceu agora. A parceria entre Netflix e o WIT Studio foi anunciada ainda em 2023, e a equipe de produção e as primeiras artes conceituais apareceram durante o One Piece Day 2024. A escolha do estúdio diz muito sobre a ambição da empreitada. O WIT Studio é a casa por trás dos primeiros e mais elogiados arcos de Attack on Titan, além de Vinland Saga e Spy x Family, um currículo construído justamente sobre animação de ação fluida e direção cinematográfica.

A produção reúne ainda Shueisha (editora do mangá), Fuji Television e a Toei Animation, estúdio responsável pelo anime clássico que está no ar desde 1999 e já passou de mil episódios. A primeira temporada terá 7 episódios e cerca de 300 minutos de duração total, cobrindo os 50 primeiros capítulos do mangá, do encontro de Luffy com Shanks até a chegada ao restaurante Baratie, onde ele cruza com Sanji pela primeira vez. O episódio de abertura se chama, apropriadamente, Romance Dawn.

Recomeçar do zero a franquia que ninguém termina

Estamos diante de uma decisão arriscada e fascinante: refazer do zero uma das franquias mais lucrativas e queridas da história dos mangás, com mais de 500 milhões de cópias vendidas no mundo. Diferente de um remaster, The One Piece não é o anime antigo com retoque de cor. É uma releitura pensada para o público moderno, que abandona o formato 4:3 da produção de 1999 e, principalmente, corta os fillers e o ritmo arrastado típico das transmissões semanais.

Isso conversa com um movimento maior da indústria. Casos como o reboot de Hunter x Hunter (2011) e a refilmagem de Shaman King mostraram que reapresentar um clássico fiel ao mangá pode reconquistar tanto os veteranos quanto quem nunca teve fôlego para encarar mil episódios. Ao soltar a temporada inteira de uma vez, a Netflix aposta no binge típico da plataforma e mira diretamente em quem sempre quis começar One Piece, mas travou diante do tamanho da obra original.

O risco não é a animação, é a paciência da Netflix

Aqui vai a opinião do Corujão: o WIT Studio é a escolha mais acertada possível, e o teaser focado em Romance Dawn é um recado claro de respeito ao material de origem. Ao mesmo tempo, é justo levantar dúvidas legítimas. Sete episódios para 50 capítulos é um ritmo confortável, mas a saga East Blue inteira (até Arlong Park) vai exigir mais de uma temporada, e a Netflix tem um histórico irregular de renovar animes de nicho. A grande incógnita não é a qualidade da animação, e sim a paciência da plataforma em bancar uma adaptação que, para fazer jus ao mangá, precisará de muitos anos.

Há também o elefante na sala: a própria Toei continua produzindo o anime clássico em paralelo. Conviver com duas versões oficiais ao mesmo tempo é um cenário inédito, e ainda não está claro como isso afeta a percepção do público sobre qual é a versão "definitiva".

O que mudou em relação à versão anterior:

Por ser uma produção original Netflix, a estreia em fevereiro de 2027 deve ser global e simultânea, com legendas e, muito provavelmente, dublagem em português brasileiro disponíveis já no lançamento, sem a espera habitual das distribuições tradicionais de anime no país. Para quem acompanha One Piece pela Netflix, que já hospeda parte do anime clássico e a série live-action, é mais um motivo para manter a assinatura ativa.